quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Otimizar-se é Otimizar as relações!

Ser pessoa é assumir a sua condição de ser livre, responsável, único, original e irrepetível, que se constrói em densidade de amor e se realiza na comunhão. Viver é conViver! Um ser humano reduzido a si próprio, nunca chega a ser ele próprio. Só nos encontramos verdadeiramente no encontro com outros. É no “rosto” do outro que eu conheço a verdade do meu “rosto”. Já reparaste que, diretamente, ninguém pode ver o seu rosto, mas apenas o rosto dos outros? Sim, estamos talhados para a reciprocidade do encontro, da comunhão, do face-a-face.

Quando a vida vai sendo marcada por muitos “desencontros”, ou seja, face-a-face pobres em amor, verdade e atitudes humanizantes, o coração vai ficando dolorido, sente-se pobre e inseguro… Assim, normalmente tende a fechar-se, que é uma forma de proteção. Nascem assim as pessoas pessimistas nas relações, não por maldade, mas por “instinto de defesa e proteção”.


Mas, sendo tudo isto verdade, não é uma fatalidade tornar-se pessimista! O fundamental da vida não se joga no que recebemos dos outros (vida que se recebe), mas sim do que fazemos com isso, como “rentabilizamos” (vida que se constrói), umas vezes com mais outras com menos. Ninguém é herói ou culpado palas possibilidades ou bloqueios que foram sendo inscritos na sua história. O heroísmo ou a culpa jogam-se no esforço de tornar as capacidades em realidades, e os bloqueios em desafios. Foi isto que Jesus nos disse quando contou a parábola dos talentos, em que a culpa ou o heroísmo não se jogaram no que cada um recebeu, mas no que cada um fez render.

Quando temos uma ferida em carne viva, tendemos a protegê-la. Quando essa ferida está ao nível do “eu interior” a que chamamos “coração”, tendemos a proteger-nos. É a lógica do “auto enroscamento”, o vírus do pessimismo a infectar as nossas relações: o pessimista está sempre à espera que do outro venha o pior; não confia, joga de pé atrás, atento ao mais pequeno deslize do outro para se encher de razão na escolha prévia de não confiar! O otimista, pelo contrário, como espera dos outros o melhor, abre-se aos encontros e à descoberta de novas experiências e vivências que só se podem viver no “País Encantado da Confiança”, onde não se está imune ao sofrimento nem existe um antídoto contra a traição e a infidelidade, mas pelo menos ninguém se recusa a ser feliz pelo medo de não conseguir! A nível relacional, o otimista não tem o sucesso assegurado; mas o pessimista tem o fracasso garantido!

Nestas aventuras e desventuras das relações, é importante também aprendermos a educar as expectativas. Se existisse um “Sofrimentómetro”, dar-nos-íamos conta de que é imenso o que sofremos por antecipação. Por quê? Porque as nossas expectativas são, normalmente, pessimistas. Sobretudo em momentos de tensão e encontros que antevemos mais complicados. O modo como antecipamos as situações molda o jeito como as enfrentamos. Nestas situações, diz a ti próprio muitas vezes: “Espera o melhor!”. E confia em Deus: “Senhor, sei estás comigo! Nada temo; não há nenhuma situação que eu e Tu não sejamos capazes de resolver da melhor maneira! Confio em ti! Inspira-me sempre o que é melhor!” É preciso Simplificar a Vida de vez em quando, e o primeiro passo concreto para isto pode ser este:

Ocupa-te mais intensamente com as situações reais do que com as expectativas imaginárias!

Isto não é uma magia, mas uma prática de Confiança que molda atitudes e posturas novas para enfrentar os acontecimentos. Praticar expectativas positivas face a experiências que se antecipam difíceis é uma forma comprovada de vir a ter sucesso nessas experiências.

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